VEJA AGORA ALGUNS CONCEITOS SOBRE RELIGIÕES E TEMAS LIGADOS A FILOSOFIA.
COSMOLOGIA
(do grego kosmos: mundo, e logos, ciência, teoria) Conjunto das teorias científicas que tratam das leis ou das propriedades da matéria em geral ou do universo. Toda cosmologia supõe a possibilidade de um conhecimento do mundo como sistema e de sua expressão num discurso. Por isso, a imagem do sistema do mundo é determinante para toda filosofia que se pretende sistemática. O postulado de uma totalização do mundo, pelo saber, revela-se indispensável a uma eventual totalização do próprio saber... Observemos que toda cosmologia supõe a possibilidade de um conhecimento do mundo como sistema e de sua expressão num discurso sistemático. O postulado de uma totalização do mundo pelo saber é indispensável para que se opere a totalização do próprio saber. Por isso,o fato de uma filosofia constituir-se num sistema do mundo torna-se evidente quando possuímos uma imagem do mundo que é a de uma totalidade fechada, finita e hierarquizada. O mesmo não ocorre quando possuímos uma imagem do universo infinita, sem ordem e descentrada, como a copernicano-galileana.
JAPIASSÚ, H. e MARCONDES, D. Dicionário Básico de Filosofia.. Rio de Janeiro; Jorge Zahar Editor, 2001. pg 57
NATURALISMO
Concepção filosófica que não admite a existência de nada que seja exterior à natureza, reduzindo a realidade ao mundo natural e a nossa experiência deste. O naturalismo recusa, portanto, qualquer elemento sobrenatural ou princípio transcendente. Mesmo a moral deveria basear-se nos princípios que regem a natureza, tomados como fundamentos das regras e preceitos de conduta, tal como, p. ex., no epicurismo e no estoicismo.
JAPIASSÚ, H. e MARCONDES, D. Dicionário Básico de Filosofia. Rio de Janeiro; Jorge Zahar Editor, 2001. pg 192
MATERIALISMO
1. Na filosofia clássica (sobretudo no atomismo, epicurismo e estoicismo), doutrina que reduz toda realidade à matéria, embora o próprio conceito de matéria possa variar bastante, bem como variam as respostas às muitas dificuldades geradas por esta concepção. De modo geral, portanto, o materialismo nega a existência da alma ou da substancia pensante cartesiana, bem como a realidade de um mundo espiritual ou divino cuja existência seria independente do mundo material. O próprio pensamento teria uma origem material, como um produto dos processos de funcionamento do cérebro. No inicio do pensamento moderno, o desenvolvimento da física gerou uma concepção materialista conhecida como mecanicismo, que procurava uma explicação científica do real baseada exclusivamente em mudanças quantitativas na matéria. Ver dualismo; fenomenalismo,; imaterialismo. Oposto a espiritualismo, idealismo.
JAPIASSÚ, H. e MARCONDES, D. Dicionário Básico de Filosofia. Rio de Janeiro; Jorge Zahar Editor, 2001. pg 176
APEIRON
Termo grego utilizado por Anaximandro para designar “aquilo que não tem limiar, extremidade ou limite”, sendo considerado, pois, como “infinito” e “imenso”, como principio original dos seres, tanto de seu aparecimento quanto de sua dissolução.
JAPIASSÚ, H. e MARCONDES D. Dicionário Básico de Filosofia. Rio de Janeiro; Jorge Zohar Editor, 2001. pg 13
CIÊNCIA
(lat. Scientia: saber, conhecimento) 1. Em seu sentido amplo e clássico, a ciência é um saber metódico e rigoroso, isto é, um conjunto de conhecimentos metodicamente adquiridos, mais ou menos sistematicamente organizados, e suscetíveis de serem transmitidos por um processo pedagógico de ensino. 2. Mais modernamente, é a modalidade de saber constituída por um conjunto de aquisições intelectuais que tem por finalidade propor uma explicação racional e objetiva da realidade. Mais precisamente ainda: é a forma d conhecimento que não somente pretende apropriar-se do real para explicá-lo de modo racional e objetivo, mas procura estabelecer entre os fenômenos observados relações universais e necessárias, o que autoriza a previsão de resultados (efeitos) cujas causas podem ser detectadas mediante procedimentos de controle experimental.
JAPIASSÚ, H. E MARCONDES, D. Dicionário Básico de Filosofia. Rio de Janeiro; Jorge Zahar Editor, 2001. pg 43
ONTOLOGIA
(gr. To on: o ser, logos: teoria) Termo introduzido pelo filósofo alemão Rudolph Goclenius, professor da Universidade de Marburg, em se Lexicon Philosophicum (1613), designando o estudo da questão mais geral da metafísica, a do “ser enquanto ser”; isto é, do ser considerado independentemente de suas determinações particulares e naquilo que constitui sua inteligibilidade própria. Teoria do ser em geral, da essência do real O termo “ontologia” aparece no vocabulário filosófico por vezes como sinônimo de metafísica. ...Distingue-se ainda, ontológico, que se refere ao ser em geral, de ôntico, que se refere ao ser em particular.
JAPIASSÚ, H. e MARCONDES, D. Dicionário Básico de Filosofia. Rio de Janeiro. Jorge Zahar Editor, 2001. pg 201
TEOREMA
(PITÁGOAS)
(do lat. tardio do gr. theorema) Em uma teoria axiomática (geometria, aritmética, lógica etc) em geral, uma proposição que pode ser demonstrada tomando-se como base os axiomas, ou seja, que resulta de uma dedução válida cujas premissas são os axiomas da teoria. Uma vez demonstrado o teorema, este pode servir para demonstração de novos teoremas. Ex.: Teorema de Pitágoras ( em um triângulo retângulo, o quadrado da hipotenusa é igual à soma dos quadrados dos catetos).
JAPIASSÚ, H. e MARCONDES, D. Dicionário Básico de Filosofia. Rio de Janeiro; Jorge Zahar Editor, 2001. pg 259
TEORIA
(fr. théorie, do lat e do gr. theoria) 1. Na acepção clássica da filosofia grega, conhecimento especulativo, abstrato, puro, que se afasta do mundo da experiência concreta, sensível. Saber puro, sem preocupação prática. 2. Modelo explicativo de um fenômeno ou conjunto de fenômenos que pretende estabelecer a verdade sobre esses fenômenos, determinar sua natureza. Conjunto de hipóteses sistematicamente organizadas que pretende, através de sua verificação, confirmação, ou correção, explicar uma realidade determinada. Ex.: a teoria da relatividade de Einstein.
JAPIASSÚ, H. E MARCONDES, D. Dicionário Básico de Filosofia. Rio de janeiro; Jorge Zahar Editor, 2001. pg 260
LOGOS
(do gr. legein: falar, reunir) 1. Conceito central da filosofia grega que possui inúmeras acepções em diferentes correntes filosóficas, variando às vezes no pensamento de um mesmo filósofo. Na língua grega clássica equivale a “palavra”, “verbo”, “sentença”, “discurso”, “pensamento”, “inteligência’, “razão”, “definição”, etc. Supõe-se que em seu sentido etimológico originário de !reunir”, “recolher”, estaria contido o caráter de combinação, associação e ordenação do logos, que daria assim sentido às coisas.
JAPIASSÚ, H. e MARCONDES, D. Dicionário Básico de Filosofia. Rio de Janeiro; Jorge Zahar Editor, 2001. pg 167
DIALÉTICA
(lat. dialectica. do gr. dialektike: discussão) em nossos dias, utiliza-se bastante o termo “dialética” para se dar uma aparência de racionalidade aos modos de explicação e demonstração confusos e aproximativos. Mas a tradição filosófica lhe dá significados bem precisos. 1. Em Platão, a dialética é o processo pelo qual a alma se eleva, por degraus, das aparências sensíveis às realidades inteligíveis ou idéias... 2. Em Aristóteles, a dialética é a dedução feita a partir de premissas apenas prováveis. ...3. Em Hegel, a dialética é um movimento racional que nos permite superar uma contradição. Não é um método, mas um movimento conjunto do pensamento e do real ...4. Marx faz da dialética um método. Insiste na necessidade de considerarmos a realidade socioeconômica de determinada época como um todo articulado, atravessado por contradições específicas, entre as quais a da luta de classes. ...
JAPIASSÚ, H. e MARCONDES, D. Dicionário Básico de Filosofia. Rio de Janeiro; Jorge Zahar Editor, 2001. pg 70
CETICISMO
(do gr. skeptkós: aquele que investiga) 1. Concepção segundo a qual o conhecimento do real é impossível à razão humana. Portanto, o homem deve renunciar à certeza, suspender seu juízo sobre as coisas e submeter toda afirmação a uma dúvida constante. Oposto a dogmatismo.
JAPIASSÚ, H. e MARCONDES., D. Dicionário Básico de Filosofia. Rio de Janeiro; Jorge Zahar Editor, 2001, 41
MANIQUEISMO
(do lat. Tardio manichaeus, do gr. tardio manichaios, de Manichaios: Maniqueu, do persa Manes, o fundador da seita) 1. doutrina criada por manes (séc. III) que se difundiu pelo Império romano e pelo ocidente cristão, florescendo nesse período.combina elementos do zoroastrismo, antiga religião persa e de outras religiões orientais, além do próprio cristianismo. Mantém uma visão dualista radical, segundo a qual encontram-se no mundo as forças do bem ou da luz, ou do mal, ou da escuridão, consideradas princípios absolutos, em permanente e eterno confronto. O maniqueísmo teve grande influencia nos primórdios do cristianismo, sendo combatido por santo Agostinho, que inicialmente o havia adotado. 2. Em um sentido genérico, “visão maniqueísta” é aquela que reduz a consideração de uma realidade a uma oposição simplista entre algo que representaria o bem e algo que representa o mal.
JAPIASSÚ, H. e MARCONDES, D. Dicionário Básico de Filosofia. Rio de Janeiro; Jorge Zahar Editor, 2001. pg 172
COSMOGONIA
(gr. kosmogonia: criação do mundo) Teoria sobre a origem do universo, geralmente fundada em lendas ou em mitos e ligada a uma metafísica. Em sua origem, designa toda explicação da formação do universo e dos objetos celestes. Atualmente, designa as explicações de caráter mítico. Ex.: as cosmogonias pré-socráticas de Tales de Mileto, Anaximandro, Empédocles etc.
JAPIASSÚ, H. E MARCONDES, D. Dicionário Básico de Filosofia. Rio de Janeiro; Jorge Zahar Editor, 2001. pg. 57
METAFÍSICA
1. O termo “metafísica” origina-se do título dado por Andrõnico de Rodes, principal organizador da obra de Aristóteles, por volta do ano 50 ªC., a um conjunto de textos aristotélicos – ta meta ta physiká – que se seguiu ao tratado da física, significando literalmente “após a física”, e passando a significar depois, devido a sua temática, “aquilo que está além da física, que a transcende”.
2. Na tradição clássica e escolástica a metafísica é a parte mais central da filosofia, a ontologia geral, o tratado do ser enquanto ser. A metafísica define-se assim como filosofia primeira, como ponto de partida do sistema filosófico, tratando daquilo que é pressuposto por todas as outras partes do sistema, na medida em que examina os princípios e causas primeiras, que se constitui como doutrina do ser em geral, e não de suas determinações particulares; inclui ainda a doutrina do Ser Divino ou Ser supremo.
- Metafísica é o título da obra de Aristóteles constituída de doze tratados onde ele discute o problema do conhecimento e a noção de filosofia, introduzindo e conceituando algumas das noções mas centrais de filosofia como substância, essência e acidente, necessidade e contingência, verdade e etc. Teve grande influência no desenvolvimento da tradição filosófica a partir do século XIII, quando a obra de Aristóteles é reintroduzida no ocidente.
JAPIASSÚ, H. e MARCONDES, D. Dicionário Básico de Filosofia. Rio de janeiro, Jorge Zahar Editor, 2001. pg 180
GRAÇA
(latin. gratia: favor) 1. Na linguagem teológica, dom gratuito concedido por Deus a um crente concernente à sua salvação, à remissão de seus pecados ouà sua constância na provação – graça natural, quando o eleva ao estado sobrenatural; graça atual, quando lhe permite praticar o bem e evitar o mal. Foi a propósito da graça que se desenvolveu a querela da casuística.
JAPIASSÚ, H. e MARCONDES, D. Dicionário Básico de Filosofia. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor, 2001. pg 118
SUBSTÂNCIA
(lat. substantia) 1. Aquilo que é em si mesmo, a realidade de algo como suporte dos atributos, qualidades, acidentes. ...para alguns filósofos como Spinoza, só Deus propriamente é uma substância. ...para Descartes, “porque dentre as coisas criadas algumas são de tal natureza que não podem existir sem outras, nós as distinguimos daquelas que só têm necessidade do concurso ordinário de Deus, denominando estas de substâncias e aquelas de qualidades ou atributos dessas substâncias” (princípios da filosofia 1, 51). 2. Para Aristóteles, a substância é a categoria mais fundamental sem a qual as outras não podem existir. P. ex.: só pode existir a cor branca se existir uma coisa que seja branca. ...3. Aristóteles e os escolásticos distinguem a substância primeira (ousia proté) da substância segunda (ousia deutera). A substância primeira é o sujeito do qual se afirma ou nega algum predicado e que não é, ele mesmo, como tal, predicado de nada. A substância segunda é uma abstração, o tipo geral, aquilo que caracteriza uma classe de objetos, p. ex., homem, cavalo, pedra.
JAPIASSÚ, H.e MARCONDES, D. Dicionário Básico de Filosofia. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor, 2001. pg 255
MAIÊUTICA
(do gr. maieutiké: arte do parto) 1. No Teeteto, Platão mostra Sócrates definindo sua tarefa filosófica por analogia à de uma parteira (profissão de sua mãe), sendo que, ao invés de dar à luz crianças, o filósofo dá à luz idéias. O filósofo deveria, portanto, segundo Sócrates, provocar nos indivíduos o desenvolvimento de seu pensamento de modo que estes viessem a superar sua própria ignorância, mas, através da descoberta, por si próprios, com o auxilio do “parteiro”, da verdade que trazem em si. 2. Equanto o método filosófico praticado por Sócrates, a maiêutica consiste em um procedimento dialético no qual Sócrates, partindo das opiniões que seu interlocutor tem sobre algo, procura faze-lo cair em contradição ao defender seus pontos de vista, vindo assim a reconhecer sua ignorância a cerca daquilo que julgava saber. A partir do reconhecimento da ignorância, trata-se de então de descobrir, pela razão, a verdade que temos em nós. Ver dialética, reminiscência e método. 3. O modelo pedagógico conhecido como “Socrático” inspira-se na maiêutica como forma de ensinar os indivíduos a descobrirem as coisas por eles mesmos.
JAPIASSÚ, H. e MARCONDES, D. Dicionário Básico de Filosofia. Rio de janeiro, Jorge Zahar Editor, 2001. pg 171
SOFISTAS
Por este termo entendemos um grande número de pensadores gregos que passaram a comercializar a filosofia. Assim como os filósofos anteriores preocupados com a busca da Verdade representavam razão, os sofistas, a serviço de outros interesses, eram agentes da anti-razão. Para eles, o essencial, todo o esforço intelectual tinha por fim algum lucro imediato; vencer um adversário, ganhar uma causa judicial, convencer um auditório. Para isto, tudo era válido. A única norma lógica e intelectual era o êxito.Dentre os principais sofistas destacaram-se Górgias, Protágoras e Hípias de Elida. Das principais obras dos sofistas só chegaram até nós fragmentos, muitas vezes citados através de seus adversários, como Platão.
TELES, A. Xavier. Introdução ao Estudo de Filosofia. S. Paulo; Editora Ática, 1974. pg 32
IOGA
(do sânscrito yoga: junção, unificação) sistema filosófico da Índia, preconizando todo um conjunto de práticas corporais e exercícios físicos suscetíveis de permitir ao indivíduo, mediante exercícios de controle de si a ascese moral e a meditação, libertando-se afim de realizar a unidade de sua essência própria, seu “estado perfeito” ou “contemplativo”.
JAPIASSÚ H. e MARCONDES D. Dicionário Básico de Filosofia. Rio de Janeiro; Jorge zahar Editor, 2001. pg 147
MORAL
(lat. moralis, de mor-, mos: costume) 1. Em um sentido amplo, sinônimo de ética como teoria dos valores que regem a ação ou conduta humana, tendo um caráter normativo ou prescritivo. Em um sentido mais estrito, a moral diz respeito aos costumes, valores e normas de conduta específicos de uma sociedade ou cultura, enquanto que a ética considera a ação humana do seu ponto de vista valorativo e nomativo, em um sentido mais genérico e abstrato. 2. Pode-se distinguir entre uma moral do bem, que visa estabelecer o que é o bem para o homem – a sua felicidade, realização, prazer etc, e como se pode atingi-lo – e uma moral do dever, que representa alei moral como um imperativo categórico, necessária, objetiva e universalmente válida: “o dever é uma necessidade de se realizar uma ação por respeito à lei” (Kant) Segundo Kant a moral é a esfera da razão prática que responde à pergunta: “o que devemos fazer?”.
JAPIASSÚ H. e MARCONDES D. Dicionário Básico de Filosofia. Rio de Janeiro; Jorge Zahar Editor, 2001. pg 187
REMINISCÊNCIA
(lat. Tardio reminiscetia) Em um sentido genérico, lembrança ou recordação de algo. Em Platão (Ménon, Fédon), doutrina segundo a qual a alma, antes de sua encarnação no corpo teria tido contato direto com as formas que constituem o mundo inteligível, e delas se recordaria posteriormente quando já encarnada. A recuperação deste contato estaria na base da possibilidade do conhecimento e constituiria seu ponto de partida. Isso explicaria a possibilidade de termos um conhecimento prévio à experiência e independente dela, sendo portanto uma forma de inatismo ou apriorismo. Ver metempsicose; maiêutica; anamnese.
JAPIASSÚ H. e MARCONDES, D. Dicionário Básico de Filosofia. Rio de janeiro; Jorge Zahar Editos, 2001. pg 234
SUBSTANCIALISMO
Doutrina que afirma a existência de uma substancia ou realidade autônoma composta de substancias, independente de nossa percepção ou conhecimento. Oposto a fenomenismo. Ver realismo; objetivismo.
JAPIASSÚ H. e MARCONDES D. Dicionário Básico de Filosofia. Rio de Janeiro; Jorge Zahar Editor, 2001. pg 255
ESSÊNCIA
Aristóteles
É a unidade interna e indissolúvel entre uma matéria e uma forma, unidade que lhe dá um conjunto de propriedades ou atributos que a fazem ser necessariamente aquilo que ela é. Assim, p. ex., um ser humano é por essência ou essencialmente um animal mortal racional dotado de vontade, gerado por outros semelhantes a ele e capaz de gerar outros semelhantes a ele, etc.
CHAUI, Marilena. Convite à Filosofia. S. Paulo, Editora Ática, 2001. pg 220
TELEOLOGIA
(do gr. telos: fim, finalidade, e logos: teoria, ciência) Termo empregado por Christian Wolff para designar a ciência que estuda os fins, a finalidade das coisas, constituindo, assim, seu sentido, em oposição à consideração de suas causas ou de sua origem. Concepção segundo a qual certos fenômenos ou certos tipos de comportamento não podem ser entendidos por apelo simplesmente a causas anteriores, mas são determinados pelos fins ou propósitos a que se destinam.
JAPIASSÚ H. e MARCONDES D. Dicionário Básico de Filosofia. Rio de Janeiro; Jorge Zahar Editos, 2001. pg 258
DEUS
(lat. Deus) 1. Para o crente, Deus é o Ser transcendente e perfeito, criador do Universo e, segundo os dogmas, responsável por tudo que nele acontece (Providência). Para o descrente, Deus é uma ilusão antropomórfica construída a partir de uma extensão ao infinito das qualidades humanas, em cuja origem reside, segundo os pontos de vista, na necessidade de se ter segurança ou num estado de afetividade que vai até a patologia. Ver ateísmo. 2. No pensamento filosófico, Deus é um absoluto visado numa fé, num sentimento interior, não constituindo o objeto de um ser racional. Não se trata do Deus criador dos teólogos, mas da razão última da harmonia das coisas. Porque a máquina complexa do mundo exige um relojoeiro, e sua perfeição supõe um ser perfeito. ..para a concepção teísta, Deus é um Ser absoluto, princípio da existência, ser em si e por si, pessoal e distinto do mundo, considerado como onipotente, onisciente, imutável, eterno (e outros atributos), como princípio de inteligibilidade e de verdade, como princípio de perfeição moral, de amor, de soberana bondade, de justiça suprema, devendo ser objeto de um amor total por parte dos homens. Para a concepção pantísta, Deus é o Ser supremo imanente (não transcendente) à Natureza, isto é, substancialmente idêntico ao mundo: Deus sive Natura, dizia Spinoza.
JAPIASSÚ H. e MARCONDES D. Dicionário Básico de Filosofia. Rio de Janeiro; Jorge Zahar Editor, 2001. pg 68,69
ÉTICA
(gr. ethike, de ethikós: que diz respeito aos costumes) Parte da filosofia prática que tem por objetivo elaborar uma reflexão sobre os problemas fundamentais da moral (finalidade e sentido da vida humana, os fundamentos da obrigação e do dever, natureza do bem e do mal, o valor da consciência moral, etc.), mas fundada no mundo metafísico do conjunto das regras de conduta consideradas como universalmente válidas. Diferentemente da moral, a ética está mais preocupada em detectar os princípios de uma vida conforme a sabedoria filosófica, em elaborar uma reflexão sobre as razôes de se desejar a justiça e a harmonia e sobre os meios de alcança-las. A moral está mais preocupada na construção de um conjunto de prescrições destinadas a assegurar uma vida em comum justa e harmoniosa. Ver moral.
JAPIASSÚ H. e MARCONDES D. Dicionário Básico de Filosofia. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor, 2001. pg 93
POLÍTICA
(lat. Politicus, do gr. politikós) Tudo aquilo que diz respeito aos cidadãos e ao governo da cidade, aos negócios públicos. A filosofia política é assim a análise filosófica da relação entre os cidadãos e a sociedade, as formas de poder e as condições em que este se exerce, os sistemas de governo, e a natureza, a validade e a justificação das decisões políticas. Segundo Aristóteles, o homem é um animal político, que se define por sua vida na sociedade organizada politicamente. Em sua concepção, e na tradição clássica em geral, a política como ciência pertence ao domínio do conhecimento prático e é de natureza normativa, estabelecendo os critérios da justiça e do bom governo, e examinando as condições sob as quais o homem pode atingir a felicidade (o bem-estar) na sociedade, em sua essência coletiva.
JAPIASSÚ, H. e MARCONDES, D. Dicionário Básico de Filosofia. Rio de Janeiro; Jorge Zahar Editor, 2001. pg 215
EUDEMONISMO
(do gr. eudaimonia: felicidade) Doutrina moral segundo a qual o fim das ações humanas (individuais e coletivas) consiste na busca da felicidade através do exercício da virtude, a única a nos conduzir ao soberano bem, por conseguinte, à felicidade. É essa identificação do soberano bem com a felicidade que faz da moral de Aristóteles um eudemonismo; também a moral provisória de Descartes por ser entendida como um eudemonismo (não se deve confundir com hedonismo).
JAPIASSÚ, H. e MARCONDE, D. Dicionário Básico de Filosofia. Rio de Janeiro; Jorge Zahar Editor, 2001. pg 94
VIRTUDE
(lat. virtus) 1. Em seu sentido originário, o termo designa uma qualidade ou característica de algo, uma força ou potência que pertence à natureza de algo. Esse sentido permanece na expressão “em virtude de”, p. ex, “em virtude do mau tempo o espetáculo foi cancelado”. 2. Em um sentido ético, a virtude é uma qualidade positiva do indivíduo que faz com que ele aja de forma a fazer o bem para si e para os outros. Platão considerava a virtude como inata, como uma qualidade que o indivíduo traz consigo e que, portanto, não pode ser ensinada (Ménon). Contrariamente a Platão Aristóteles considerava que a virtude podia ser adquirida, sendo na realidade resultado de um hábito: “a virtude é uma disposição adquirida voluntariamente, consistindo, em relação a nós, em uma medida, definida pela razão conforme a conduta de um homem que age refletidamente. Ela consiste na medida justa entre dois extremos, um pelo excesso, outro pela falta” (ética a Nicómano, 6). Oposto a vício. 3. Na filosofia moderna, a palavra “virtude” passou a designar a força da alma ou do caráter. Nesse sentido moral, designa uma disposição moral para o bem: “a virtude é a força de resolução que o homem revela na realização de seu dever” (Kant). As virtudes designam formas particulares dessa disposição para o bem: a coragem, a justiça. A lealdade.
JAPIASSÚ, H. e MARCONDES, D. Dicionário Básico de Filosofia. Rio de Janeiro; Jorge Zahar Editor, 2001. pg 271
FORMA
È o que individualiza e determina uma matéria, fazendo existir as coisas ou os seres particulares; sua principal característica é ser aquilo que uma essência é num determinado momento, pois a forma é o que atualiza as virtualidades contidas na matéria.
CHAUI, Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo; Editora Ática, 2001. pg 220
ESSÊNCIA
È a unidade interna e indissolúvel entre uma matéria e uma forma,unidade que lhe dá um conjunto de propriedades ou atributos que a fazem ser necessariamente aquilo que ela é. Assim, por exemplo, um ser humano é por essência ou essencialmente um animal mortal racional dotado de vontade, gerado por outros semelhantes a ele e capaz de gerar outros semelhantes a ele, etc.
CHAUI, Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo; Editora Àtica, 2001. pg 220
ACIDENTE
É uma propriedade ou atributo que uma essência pode ter ou deixar de ter sem perder seu ser próprio. Por exemplo, um ser humano é racional ou mortal por essência, mas é alto ou baixo, gordo ou magro, negro ou branco, por acidente. A humanidade é a essência essencial (animal, mortal, racional, voluntário), enquanto o acidente é o que é, existindo ou não existindo, nunca afeta o ser da essência (magro, gordo, alto, baixo, negro, branco). A essência é o universal; o acidente, o particular.
CHAUI, Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo; Editora Ática, 2001. pg 220
ATO
É a atualidade de uma matéria, isto é, sua forma num dado instante do tempo; o ato é a forma que atualizou uma potência contida na matéria. Por exemplo, a árvore é o ato da semente, o adulto é o ato da criança, a mesa é o ato da madeira, etc. Potência e matéria são idênticos. Assim como forma e ato são idênticos. A matéria ou potência é uma realidade passiva que precisa do ato e da forma, isto é, da atividade que cria os seres determinados.
CHAUI, Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo; Editora Ática, 2001. pg 220
POTENCIA
É o que está contido numa matéria e pode vir a existir, se for atualizado por alguma causa; por exemplo, a criança é um adulto em potência ou um adulto em potencial; a semente é a árvore em potência ou potencial.
CHAUI, Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo; Editora Ática, 2001. pg 220
MATERIA
É o elemento de que as coisas da Natureza, os animais, os homens, os artefatos são feitos; sua principal característica é possuir virtualidades ou conter em si mesma possibilidades de transformação, isto é, de mudança.
CHAUI, Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo; Editora Ática, 2001. pg 220
CONFUCIO
(551-479 a.C.) Foi o fundador da primeira escola filosófica na China. Seu pai era governador do pequeno reino de Lu. Desde cedo, apresentou notável inteligência. Dedicou toda sua vida a ensinar ao povo e aos príncipes como viver individual e coletivamente com sabedoria. Suas aulas contavam com um auditório de até 3000 discípulos. A doutrina de Confúcio acha-se codificada no que foi chamado de os livros clássicos. O primeiro deles é o Ta-hio – “Grande Estudo” ; o segundo é o Tsung- Yung – “Invariabilidade do meio” ; o terceiro é o Lun-Yu – “ Discussões Filosóficas”.
Os temas principais deste trabalho se resumiam em:
a) estudar a conduta do homem;
b) legislar para uma sociedade perfeita;
c) acolher e respeitar as tradições.
TELES, Antônio Xavier. Introdução ao Estudo da Filosofia. São Paulo; Editora Ática, 1974. pg 56
FILOSOFIA
A palavra filosofia é grega. É composta por duas outras: Philo deriva-se de philia, que significa amizade, amor fraterno, respeito entre os iguais; Sophia quer dizer:sabedoria e dela vem a palavra sophos, sábio.
Filosofia significa, portanto, amizade pela sabedoria, amor e respeito pelo saber. Filósofo: o que ama a sabedoria, tem amizade pelo saber, deseja saber.
Assim, Filosofia indica um estado de espírito, o da pessoa que ama, isto é, deseja o conhecimento, o estima, o procura e o respeita. Atribui-se ao filósofo grego Pitágoras de Samos (século V a. C.) A invenção da palavra Filosofia. Pitágoras teria afirmado que a sabedoria plena e completa pertence aos deuses, mais que os homens pode deseja-la ou amá-la, tornando-se filósofos.
A filosofia, entendida como aspiração ao conhecimento racional, lógicoe sistemático da realidade natural e humana, dá origem e causas do mundo e de suas transformações, da origem e causas das ações humanas e do próprio pensamento, é um fato tipicamente grego.
CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo; Editora Ática, 2001. pgs. 19-20
NIRVANA
“Extinção”, “Apagamento”. É a meta da prática espiritual. Não deve ser entendida como aniquilação, mas sim como entrada em outra forma de existência. Psicologicamente, é um estado de grande liberdade e espontaneidade. “O nirvana nos ensina que já somos aquilo que queremos nos tornar”, diz o monge vietnamita Thich Nhat Hanh.
REVISTA SUPER INTERESSANTE. Edição 174; Editora Abril, Março 2002. Pg 41
CARMA
“Ação”. É a lei de causa e efeito que rege o universo. Não significa destino no sentido fatalista, mas sim o que recai sobre cada um como resultado do seu comportamento.
REVISTA SUPER INTERESSANTE. Edição 174, Editora Abril; Março 2002. Pg 41
BODHISATVA
Ser que aspira a condição de Buda pela prática das seis perfeições e que se compromete a abrir mão do nirvana até que tenha levado todos os seres sensíveis à iluminação. É o ideal do caminho mahayana.
REVISTA SUPER INTERESSANTE. Edição 174. Editora Abril; Março 2002. Pg 41
ALMA
(Do latin anima) 1. princípio de vida. 2. Filos. – Entidade a que se atribuem, por necessidade de um principio de unificação, as características essenciais à vida (do nível orgânico às manifestações mais diferenciadas da sensibilidade) e ao pensamento: as faculdades da alma. 3. Principio espiritual do homem concebido como separável do corpo e imortal. 4. O conjunto das funções psíquicas e dos estados de consciência do ser humano que lhe determina o comportamento, embora não tenha realidade física ou material. 5. Sede dos afetos, dos sentimentos e das paixões.
FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro; Editora Nova Fronteira, 1986 pg 88
VEDAS
(Do sânscrito veda, “conhecimento”) Conjunto de textos sagrados – hinos laudatórios, formas sacrificiais, encantações, receitas mágicas – que constituem o fundamento da tradição religiosa e filosófica da Índia (do bramanismo e do hinduísmo).
FERREIA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro; Editora Nova Fronteira, 1986. pg 1757
UPANIXADE
(Do sânscrito: upanishad, “tratado filosófico”) Texto filosófico composto entre os séculos VIII e IV a. C., anexado ao Veda, e no qual se desenvolve a reflexão acerca do relacionamento entre Átmã e Brama; vedanta.
FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Rio de janeiro; Editora Nova Fronteira, 1986. pg 1740
JAINISMO
(Do sânscrito, pelo inglês jainism) Escola heterodoxa da Índia, fundada por Maavira no século VI a. C., e caracterizada principalmente pela aceitação das doutrinas do carma e do ainsa, que levam a moral ascética extremamente severa, e pela oposição ao sistema de castas do bramanismo.
FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro; Editora Nova Fronteira, 1986. pg 981
BUDISMO
Sistema ético religioso e filosófico fundado por Siddharta Gautama, o Buda (Ásia Central, 563-483 a.C),
difundido por todo o leste asiático e que consiste fundamentalmente no ensino de como, pela conquista do mais alto conhecimento, se escapa da roda dos nascimentos e se chega ao nirvana.Por volta do século III separaram-se dois ramos diferentes do budismo: o budismo inaiana e o budismo maaiana.
O budismo inaiana, ramo ortodoxo, também chamado pequeno veículo que se espalhou pelo sul da Ásia. Budismo maaiana: ramo do budismo também chamado grande veículo, difundido principalmente por todo o norte da Ásia, e que se opõe ao budismo primitivo por considerar que, muito embora a aspiração final deva ser o nirvana, deva este, por compaixão, ser adiado, afim de que o sábio possa dedicar-se a ensinar aos outros o caminho da salvação.
FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Rio de janeiro; Editora Nova Fronteira, 1986. pg.290-291
HINDUÍSMO
(De hindu + -ismo) Religião atual da maioria dos povos indianos, resultante de uma evolução secular do vedismo e do bramanismo, que se transformaram pela especulação filosofia e pela integração de cultos locais. Constitui o hinduísmo ampla manifestação cultural, expressando-se por uma riquíssima literatura de sentido poético-religioso, na qual se cristalizaram numerosos preceitos relativos à vida cotidiana e à organização social, e se desenvolveram através dos séculos, vários sistemas teológico-flosóficos.
FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro; Editora Nova Fronteira, 1986. pg. 896
HEBREU
(Do hebraico ibri, “aquele que atravessou” – o Eufrates ou o Jordão – pelo gr. hebraîos e pelo lat. Hebraeu) Indivíduo dos hebreus povo semita da antiguidade do qual descendem os atuais judeus.
FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro; Editora Nova Fronteira, 1986 . Pg 884
ZOROASTRISMO
Religião de Zoroastro ou Zaratustra, nascido na Medi, no século VII a. C., criador da casta dos magos e reformador do masdeísmo, do qual conservou a concepção dualística do Universo.
FERREIA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro; Editora Nova Fronteira, 1986. pg 1808
CONFUCIONISMO
Doutrina ética e política de Confúcio (Kung Fu-Tze), filósofo chinês (551-479 a. C.), e de seus seguidores, a qual por mais de dois mil anos constituiu o sistema filosófico dominante da China. Caracteriza-se por situar o homem e a experiência social e política da humanidade no centro da investigação, daí resultando a definição das relações humanas individuais em função das instituições sociais, principalmente da família e do Estado..
FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro; Editora Nova Fronteira, 1986. pg. 452
MISTICISMO
1. Crença ou doutrina religiosa dos místicos. 2. Elemento místico de qualquer doutrina: o misticismo dos positivistas. 3. Disposição para crer no sobrenatural.
FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro; Editora Nova Fronteira, 1986. pg 1142
TAO
Segundo Confúcio é a lei eterna pela qual nos devemos dirigir: o caminho do céu. Segue-se o Tao quando se vive segundo a natureza e os costumes dos antepassados. Toda filosofia chinesa antiga deve ser entendida à luz da vida social da época, totalmente dominada: 1. pelo culto dos antepassados 2. pela estrutura patriarcal.
Segundo Lao-Tsé tudo deriva do Tao. Primordialmente o Tao produziu os dois princípios Yin (feminino e negativo) e Yang (masculino positivo). Da união desses dois princípios nasceram o céu e aterra, que deram origem a todas as coisa.
TELES, Antonio Xavier. Introdução ao Estudo de Filosofia. São Paulo; Editora Ática, 1974. pg 57-58
LAO-TSÉ
604 A 551 A. c. Foi contemporâneo de Confúcio e, apesar de seu desafeto, foi por ele, um dia, visitado. Era mais um racionalista do que um moralista. Ensinou a doutrina do Tao – a ordem imutável das coisas, à qual temos de nos sujeitar. A sabedoria concistia em deixar-se conduzir pelos acontecimentos passivamente. Foi, até certo ponto, contrário à educação do povo porque o tirava da simplicidade de da inocência. Ele dizia “o homem se oriente segundo a Terra, a Terra segundo o Céu, o Céu segundo o Tao e este segundo as suas leis eternas.
TELES, Antonio Xavier. Introdução ao Estudo de Filosofia. São Paulo; Editora Ática, 1974. pg 58
VIDA RETA
De acordo com a sabedoria das idéias contidas no pensamento. Isso é muito difícil. Geralmente pensa de um modo e vive de outro. (Uma das oito verdades ensinadas por Buda).
TELES, Antonio Xavier. Introdução ao Estudo de Filosofia. São Paulo; Editora Ática, 1974. pg 4
BUDA
Iluminado – Em 534 a.C, um jovem príncipe hindu, provavelmente de ascendência mongólica, chamado Sidarta Gautama, mais tarde denominado Buda – Iluminado. Depois de presenciar a morte e o sofrimento humano tomou uma decisão suprema. Abandonou tudo: a esposa, o filho recém nascido, a opulência do seu lar e saiu para meditar sobre o sentido da vida. Cavalgando seu cavalo branco Kanthaka atravessou o rio que separava o seu principado para nunca mais voltar.
TELES, Antonio Xavier. Introdução ao Estudo de Filosofia. São Paulo; Editora Ática, 1974. pg 44.
TALMUDE
Nome próprio derivado de um verbo hebraico cognato do acádico e do ugarítico, que tinha o sentido de “aprender” ‘estudar”. O substantivo comum desse verbo significa discípulo, no hebraico. O Talmude é uma coletânea de preceitos rabínicos de decisões legais e de comentários sobre a legislação mosaica. Nas escolas judaicas
européias, o Talmude representava o maior desafio aos estudiosos judeus que queriam dominar a piedade tipicamente judaica. É lamentável que eles sempre tenham preferido esses comentários, em lugar de suas próprias Sagradas Escrituras.
CHAMPLIN, R. N. e BENTES, J. M. Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. São Paulo; Editora e Distribuidora Candeia, 1991. vol. 6 pg. 397/399
SHIVA
Esse é o grande deus do hinduísmo, objeto central da adoração da seita shivaite, ou saivá do hinduísmo.
Juntamente com o Brahma (o criador) e com Vishnu (o preservador), Shiva forma a tríade hindu. Por ser considerado o destruidor, Shiva representa esse aspecto da expectação e crença religiosa. Seu símbolo universal é a linga, o emblema da energia ativa criadora, em todos os aspectos da existência. Nandi, o touro, com freqüência aparece associado à sua adoraçãp. Porém, nos círculos de tendências mais filosóficas, ele é representado como o filósofo asceta, sentado em atitude contemplativa.
CHAMPLIN, R. N. e BENTES, J. M. Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. São Paulo; Editora e Distribuidora Candeia, 1991. vol. 6 pg. 257
ZARATUSTRA
Esse é um nome original e não corrompido de Zoroastro, pai do zoroastrismo. Ele foi o fundador do zoroastrismo, algum tempo após 1000 a. C. Houve tempo em que esta foi a religião nacional do Irã. Nietzsche fez dele a personagem principal do seu poema, Zarathrustra.
CHAMPLIN, R. N. e BENTES, J. M. Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. São Paulo; Editora e Distribuidora Candeia, 1991. vol. 6 pg. 878
VISHNU
Essa figura imaginária começou como uma divindade solar secundária, nos hinos védicos,; mas a sua estatura foi crescendo até ele tornar-se membro da elevada tríade divina hindu (Brahma, o criador; Shiva, o destruidor e Vishnu o preservador). O conceito central do visnuísmo é o da encarnação dessa divindade. Quando as coisa se tornam muito más, Vishnu sente ser necessário encarnar-se a fim de dar orientações aos homens.
CHAMPLIN, R. N. e BENTES, J. M. Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. São Paulo; Editora e Distribuidora Candeia, 1991. vol. 6 pg. 820
AHURA-MAZDA
É o Bem Supremo, o Todo-Poderoso, que é a fonte, a inspiração e o alvo de toda bondade. Se alguém seguir esta vereda, estará dando o seu apoio à causa do bem. Trata-se da divindade do sistema religioso do Zoroastrismo.
CHAMPLIN, R. N. e BENTES, J. M. Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. São Paulo; Editora e Distribuidora Candeia, 1991. vol. 6 pg. 903
SER
Aquilo que realmente é, em contraste com aquilo que está se tornando, ou que, potencialmente, pode ser, ou que está vindo à existência. Varias conotações são dadas à idéia de ser, como ser absoluto, aquilo que não pode ser modificado, ou aquilo que é perfeito. Parmnides supunha que o verdadeiro ser é imutável, e que qualquer modificação é ilusória, o que exprime a posição de várias religiões orientais. Platão permitia um tipo secundário de ser, característico do muno dos particulares (o nosso mundo e seus objetos). Os materialistas, por sua vez, estão certos de que o único ser que existe é este mundo de objetos materiais, que estão em constante estado de modificação.Aristóteles ensinava que a factualidade concretiza-se potencialmente. Ilustrava com um carvalho, que estava potencialmente na bolota. E isso demonstraria que o ser está sempre em mutação (tornar-se em algo). O real absoluto é aquilo que concretizou totalmente a sua própria potencialidade, ou seja a factualidade de toda sua existência. Os filósofos da idade média, seguindo orientação de Aristóteles, ensinavam que Deus é “factualidade pura” não havendo Nele qualquer potencialidade não concretizada. Ele é imutável e perfeito. É o Ser necessário e independente, visto ser a fonte originária de todos os demais seres, possuidor da vida em Si mesma. Deus não é um Ser, mas é o Ser-em-Si-mesmo. Existe por seu próprio ato puro (actus purus).
CHAMPLIN, R. N. e BENTES, J. M. Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. São Paulo; Editora e Distribuidora Candeia, 1991. vol. 6 pg. 210
ÁTMÃ
Termo de origem incerta que, em seu uso mais antigo, significava “fôlego”, mas que veio a significar “o eu”. Nos Upanishades, significa “eu universal”, ou realidade final, sendo representado como bramá-átimã. Em uma das escolas filosóficas do hinduísmo, era através do conhecimento da identidade do indivíduo com brmá-átimã que se alcançaria a salvação, isto é, moksha. Essa escola filosófica chamada Shanckara. Nos primeiros tempos védicos o termo significava “vento, sopro, a natureza de uma coisa”. No bramanismo posterior e mais tarde, o vocábulo passou a significar “mente”, o consciente de um homem ou a alma de um homem. Além disso, veio a significar mente cósmica, consciência cósmica, ou alma do mundo (uma unidade no agregado cósmico das almas – purusha).
CHAMPLIN, R. N. e BENTES, J. M. Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. São Paulo; Editora e Distribuidora Candeia, 1991. vol. 1 pg. 373
JIVA
Esse termo faz parte do Jainismo. Essa religião ensina um atomismo com a distinção entre a alma e o corpo. O Universo, bem como tudo quanto nele existe, seria composto de duas categorias em contraste. A Jiva englobaria aquilo que tem consciência própria; e a Ajiva compor-se-ia daquilo que é inconsciente, como a matéria bruta, o movimento, o repouso, o espaço e o tempo. A Jiva participa da porção imaterial da existência, uma porção que não está sujeita à dissolução, porém, seria perene independente da matéria.
CHAMPLIN, R. N. e BENTES, J. M. Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. São Paulo; Editora e Distribuidora Candeia, 1991. vol. 3 pg. 510
BON
É uma religião chamanista praticada no Tibet, antes da entrada do budismo obsedada por demônios. Nessas religiões é comum a crença na possessão de algum espírito, como fonte da maioria dos males e dificuldades dos homens
CHAMPLIN, R. N. e BENTES, J. M. Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. São Paulo; Editora e Distribuidora Candeia, 1991. vol. 6 pg. 850
NAGARJUNA
Filósofo budista do século II a. C. fundador da Escola Mahyamaka, ou Escola do Caminho do Meio da filosofia budista mahayana, ele foi um dos “dialéticos” mais diabolicamente argutos da história da filosofia. Em sua obra principal, Versos Fundamentais sobre o Caminho do Meio, ele lançou um ataque mordaz ao essencialismo e ao substancialismo sob todas as suas formas, concluindo pela interdependência dos fenômenos, que são destituídos de qualquer essência ou identidade, salvo por convenção.
SOLOMON, R. C. E HIGGINS, K. M. Paixão pelo Saber – Uma Breve Historia da Filosofia. Rio de Janeiro; Civilização Brasileira, 2001. pg. 45
NYAYA
(lógica) Filosofia indiana de tradição realista que se tornou um influente contrapeso para o “ilusionismo” de muitos vedistas e céticos. Os nyayaykas rejeitavam a idéia de que o mundo cotidiano é uma ilusão. O mundo, insistiam, era real. Eles também acreditavam em Deus, mas Deus não era muito importante na sua concepção do mundo. Assim, tinham dúvidas quanto à ênfase no misticismo e à orientação religiosa adotada pela maior parte dos filósofos indianos.
SOLOMON, R. C. E HIGGINS, K. M. Paixão pelo Saber – Uma Breve Historia da Filosofia. Rio de Janeiro; Civilização Brasileira, 2001. pg. 46
TSONGA KAPA
(1357-1419 d. C.) Foi o fundador da mais poderosa das quatro escolas tibetanas do ponto de vista político. Com sua Grande Exposição das Etapas do Caminho, forneceu uma enciclopédia da filosofia budista comparável em alcance e importância às abrangentes obras de Aristóteles o Tomás de Aquino. Tosanga Kapa é conhecido sobretudo por sua exposição e defesa de Nagarjuna e sua síntese da metafísica do vazio, da lógica e da epistemologia. Sua maior realização filosófica foi a demonstração da centralidade da filosofia da linguagem para a filosofia budista.
SOLOMON, R. C. E HIGGINS, K. M. Paixão pelo Saber – Uma Breve Historia da Filosofia. Rio de Janeiro; Civilização Brasileira, 2001. pg. 46
DIKÉ
Palavra grega, com freqüência traduzida por “justiça”, também significava originalmente “o caminho”.
SOLOMON, R. C. E HIGGINS, K. M. Paixão pelo Saber – Uma Breve Historia da Filosofia. Rio de Janeiro; Civilização Brasileira, 2001. pg. 26
ALIANÇA
1. Ato ou efeito de aliar. 2. Ajuste, acordo, pacto. 3. Cada um dos pactos que, segundo as Escrituras, Deus fez com os homens.
2. Natureza das alianças. Um acordo, usualmente sobre questões políticas e militares; uma aliança envolvia questões pessoais e religiosas. Todavia, não há uma clara distinção entre estas duas modalidades.
FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro; Editora Nova Fronteira, 1986. pg. 85
CHAMPLIN, R. N. e BENTES, J. M. Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. São Paulo; Editora e Distribuidora Candeia, 1991. vol. 1 pg. 111
OBSEDAR
(Do francês obséder) 1. Tornar-se assíduo junto de (alguém), para lhe obter as graças; importunar com assiduidade; molestar. 2. Apoderar-se (uma idéia) do espírito de (alguém), Não lhe dando descanso; produzir obsessão em; obsediar, obsidiar, obsecar: (a idía da morte obseda-o).
FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro; Editora Nova Fronteira, 1986. pg. 1210